quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um mal que viria para o meu bem

Para o Tudo de Blog

Se o mundo acabasse em 2012, eu...

... Diria o que realmente sinto, teria mais problemas reais do que imaginários e, como diria Nando Reis no show que vi hoje, “não me preocuparia tanto com as contas que não tenho dinheiro para pagar”.

domingo, 15 de novembro de 2009

Roda viva


Jogou raivosamente a mala, desatou o nó da gravata com uma rapidez quase selvagem. Puxou a caneta do bolso e riscou o calendário. O som da ponta da caneta arranhando na superfície lisa lhe dava um prazer indescritível, menor apenas pela constatação de que era uma segunda feira a menos. Pulou no sofá, como sempre fizera longe das vistas de outros.

- É estranho ser você só você mesmo.

Pensar no escritório lhe amargava a boca. Gravatas, monotonia, ternos, golfe, processos jurídicos, monotonia. Aliás, esportezinho fresco esse golfe! E pensar que seus amigos lhe diziam que vê-lo jogar era um verdadeiro espetáculo. Veadagem, isso sim.

Escolheu um disco, pôs a agulha. É, agulha. Vitrola. Coisa de gente antiga. O cheiro de poeira era inebriante. Não percebera o disco que pusera. Os primeiros versos de Cotidiano contaminavam a sala. Todo dia ela faz tudo sempre igual...

Não quis lembrar da ausência da boca de hortelã. E Chico, o cantor das mulheres, lhe lembrava o eu te amo de quem já perdeu a noção da hora, jogou tudo fora e não sabia com que cara iria partir. Ah, ela soube.
"Se você quer alguém que não beba, não fume e não fale merda na frente dos empresários, compra um manequim de loja."

Ele rodara num instante, nas voltas de seu coração. A roda da saia da mulata encantava, não mais a si. Menina, que não sabe quem eu sou. Menina, que não conhece meu amor. Desconhecia ele, o Amor. Sabia de processos jurídicos, gravatas, monotonia. Golfe. Só não sabia dela.

A roda-viva ainda girava. Que adiantava? Ele era alguém que partiu ou morreu.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Todo carnaval tem seu fim

Para o Tudo de Blog

Meu ano foi marcado por mudanças. Em uma nova escola, conheci os prós e contras de estudar em um lugar concorrido, mergulhei de cabeça em livros e apostilas, fiz amigos incríveis. Reatei amizades, percebi que amigos devem ser apenas amigos. Vi o quanto posso me enganar com uma pessoa, me vi perdoando alguém que me machucou. Olhei para o lado e conheci um outro alguém, que me re-ensinou a sorrir. Tive dias salvos por um sorriso. Aprendi a defender o que penso e a ceder, quando necessário. Deixei de ser tão ingênua, paguei os maiores micos da minha vida. Senti a dificuldade de ver um pai desempregado em uma época de crise em seu setor de trabalho e o peso de agir com maturidade diante de situações com as quais nunca havia lidado. Descobri que não posso ser forte sempre, mas posso pedir colo nos meus momentos de fraqueza. Reconheci na felicidade alheia a minha felicidade. E termino este ano sem ver um final definido, mas com a certeza de que a minha maior conquista foi aprender a viver a vida em suas diversas facetas, sem perder o sorriso no rosto ou a esperança em dias melhores.

Acho que eu nunca tomei tanto cuidado para não falar o que não deveria num post...